Saúde mental na infância e adolescência em debate

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A necessidade dum reforço do investimento e de recursos humanos no setor da saúde mental de crianças e adolescentes foi destacada na abertura de um encontro nacional a decorrer até dia 25 de outubro em Azeitão.

A necessidade dum reforço do investimento e de recursos humanos no setor da saúde mental de crianças e adolescentes foi destacada na abertura de um encontro nacional a decorrer até dia 25 de outubro em Azeitão.

O vereador da Saúde na Câmara Municipal de Setúbal, Pedro Pina, mostrou-se preocupado com as vulnerabilidades existentes na área da saúde mental de crianças e adolescentes. Para o autarca, é necessário priorizar e investir no setor e contratar recursos humanos.

“A saúde mental tem de ser uma prioridade global, local e nacional no que à governação e ao financiamento diz respeito”, apontou o autarca na abertura do XXXIV Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e Adolescência, a decorrer até dia 25 no Auditório da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense.

A saúde mental dos mais novos “não é um assunto para ficar escondido em nenhuma prateleira ou na esquina de uma freguesia”, salientou.

Pedro Pina indicou a necessidade de “serviços comunitários articulados com serviços hospitalares e com cuidados de saúde primários, de uma cobertura regular dos serviços hospitalares de psiquiatria e saúde mental, sem assimetrias”, mas, principalmente, “de mais profissionais de saúde no SNS – Serviço Nacional de Saúde, valorizando a sua formação, carreira profissional e colocação onde mais falta fazem”.

A médica psiquiatra Ana Matos Pires, da Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental, qualificou a carência de recursos humanos na saúde mental na infância e na adolescência como uma “área problemática e de particular deficiência”, adiantando que, na região sul, o SNS apenas tem estes psiquiatras em Setúbal e Beja.

“Ou há uma vontade política real de investimento nesta área ou então o Serviço Nacional de Saúde, que é para isso que trabalhamos e que, do meu ponto de vista, é a terceira conquista de Abril depois da Democracia e da Liberdade, terá forçosamente de ser assumidamente encerrado”, afirmou Ana Matos Pires.

O vereador Pedro Pina frisou que, ao nível da saúde pública, “é preciso garantir que se aprenda com a história recente”, referindo-se à pandemia de covid-19 e à necessidade de “existência de uma estrutura de saúde pública forte”.

O autarca frisou que “as alterações profundas provocadas pela pandemia no quotidiano das pessoas associadas à crise económica tiveram e têm ainda impactes na saúde mental e bem-estar psicológico e exigem a tomada de medidas para garantir a prestação universal de cuidados de saúde de proximidade e de qualidade”.

Pedro Pina deixou uma palavra de gratidão a todos os profissionais de saúde, em especial aos da área da saúde mental, às associações, às famílias e académico, os quais “contribuem para a melhoria das condições de vida e bem-estar destas populações”.

O autarca considerou ainda que a ULSA – Unidade Local de Saúde da Arrábida e o Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental dão um suporte fundamental aos doentes.

“Apesar da clara escassez de resposta, destaco em particular o trabalho diário desenvolvido pela rede local de parceiros, como a unidade local de saúde e o seu Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental, de forma a responder às necessidades nestas matérias.”

Igualmente presente na sessão de abertura do XXXIV Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e Adolescência, o presidente do Conselho de Administração da ULSA – Unidade Local de Saúde da Arrábida, Luís Pombo, afirmou a importância de se “refletir sobre a melhor forma de garantir o acompanhamento e o tratamento eficiente, de qualidade a todas as crianças e jovens que necessitem de apoio”.

Já a presidente da APPIA – Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e Adolescência, Paula Cristina Correia, salientou que as perturbações mentais são atualmente o principal problema de saúde pública na Europa e abrangem todos os grupos etários.

“A OMS estima que 20 por cento das crianças e adolescentes apresentam, pelo menos, uma perturbação mental antes de atingir os 18 anos de idade”, adiantou a responsável.

A sessão de abertura do encontro da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e Adolescência contou ainda com as participações da representante do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da ULSA, Vanessa Vila Nova, e da coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência, Helena Afonso.

O XXXIV Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e Adolescência, organizado em parceria com a ULSA, com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, conta com o contributo de um conjunto de especialistas nacionais e internacionais para promover a reflexão crítica e abordar diversos temas relacionados com os desafios que se colocam à saúde mental na infância e na adolescência.

O encontro incluiu, no dia 23, a realização de dois workshops sobre o “Impacto da sociedade atual no desenvolvimento da Identidade e da Psicopatologia do Adolescente – Discussão de casos clínicos”, pelo psiquiatra grego Dimitris Anagnostopoulos, e “Terapia Comportamental Dialética – Building a life worth living”, orientado pela pedopsiquiatra Tânia Duque.

Ao longo do dia de dia 24 realizaram-se mesas de debate sobre “Vulnerabilidades e Resiliência a Nível das Equipas Comunitárias de Saúde Mental”, “Vulnerabilidades no Divórcio” e “Instituições e Jovens com Perturbações do Comportamento: Desafios e Abordagens”.

O programa de dia 24 termina às 18h00 com a Assembleia Geral da APPIA – Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e Adolescência.

O encontro prossegue no dia 25 com mesas de debate sobre “Vulnerabilidades na primeira Infância”, às 09h00, “Impacto da Violência”, às 10h45, “Situações de crise e vulnerabilidade na Adolescência”, às 14h15, e “Identidade e Doença Mental”, às 15h30.

O XXXIV Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e Adolescência termina com a entrega do prémio Dr. João Santos, atribuído a trabalhos de investigação científica na área da saúde mental, agendada para as 18h00.

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