O presidente da Câmara Municipal, André Martins, destacou em 5 de outubro a forte ligação entre o município e o movimento associativo, na cerimónia comemorativa do oitavo aniversário da ACCSet – Associação das Coletividades do Concelho de Setúbal.
Numa sessão realizada no auditório do Mercado do Livramento que também contou com a presença do vereador da Cultura e do Desporto, Pedro Pina, e com vários representantes do movimento associativo, o presidente da Câmara salientou a relação de parceria “fundamental” entre o poder local e as coletividades.
“Somos parceiros fundamentais, o poder local e o movimento associativo não podem viver separados. Em Setúbal temos a experiência de uma parceria sempre empenhada em ultrapassar as dificuldades”, disse André Martins, sublinhando a “importância do movimento associativo nos bairros”, porque “sente os problemas das pessoas” e está “sempre disponível para ajudar e para a promoção da qualidade de vida”.
Depois de recordar que a Câmara Municipal presta apoios logísticos e financeiros ao movimento associativo, lembrou que no início do mandato foi assumido o compromisso de resolver o problema relacionado com as sedes de muitas coletividades, porque “não estavam em condições ou precisavam de melhores condições para irem mais além no desenvolvimento da sua atividade e no trabalho de servir as populações” do concelho.
“Hoje temos apoios a cerca de 30 coletividades, umas já têm as sedes em construção nova, outras em remodelação”, sublinhou. “Temos uma ligação forte e é com muito orgulho que conseguimos fazer este esforço”.
André Martins, que no final entregou um busto do poeta azeitonense Sebastião da Gama ao presidente da ACCSet, Nuno Soares, destacou o trabalho da associação para “criar as melhores condições para as próprias coletividades fazerem o seu caminho”, notando, nomeadamente, a “importância da formação dos que fazem parte do movimento associativo”.
Nuno Soares agradeceu à Câmara Municipal e às juntas de freguesia por “terem dito presente desde o primeiro dia” quando as coletividades do concelho viveram “momentos difíceis, com água e luz para pagar”, salientando o “papel muito importante” que estas tiveram no auxílio das pessoas mais necessitadas.
O presidente da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD), João Bernardino, disse que era “um orgulho muito grande” estar “entre o poder local democrático e o poder local associativo” e pediu mais apoios do Estado ao movimento associativo.
“Temos de aproveitar estas oportunidades para dizer a toda a gente: o poder local já percebeu e está de braço dado connosco, mas é preciso dizer a outros poderes que o movimento associativo faz falta ao país. É muito importante para a qualidade de vida das pessoas”, disse, dando os parabéns “a quem trabalha de uma forma benévola, voluntária e dedicada”.
Rui Canas, presidente da União das Freguesias de Setúbal, recordou que esta autarquia, com “mais de 100 coletividades” no seu território definiu “desde o primeiro momento” o movimento associativo como “um dos principais parceiros”, facto que se traduz na coorganização de eventos como o Fest’Asso ou o Festival Visigodo.
“Hoje o movimento associativo é um garante da nossa identidade enquanto povo setubalense”, disse o autarca, adiantando que este ano a União das Freguesias de Setúbal concedeu ao movimento associativo 70 mil euros em apoios financeiros e 160 mil euros em apoios na área logística.
O seu homólogo na Junta de Freguesia de São Sebastião, Luís Matos, também realçou a “parceria fundamental” que esta autarquia mantém há cerca de duas décadas com o movimento associativo que tem tido “um papel muito ativo e muito interessante na freguesia e no conselho nos últimos 50 anos”.
Luís Matos salientou que, “no último ano económico”, a junta de freguesia concedeu às coletividades 92 mil euros em comparticipações financeiras, “além de largas dezenas de milhares de euros em apoios logísticos”.
O presidente da Federação Portuguesa dos Jogos Tradicionais (FPJT), João Alexandre, salientou o trabalho que a ACCSet tem feito na divulgação dos jogos tradicionais no concelho e revelou que, “a curto prazo”, a FPJT vai avançar com o Instituto Politécnico de Setúbal para a criação de um curso de animadores de jogos tradicionais.
Augusto Flor, ex-presidente da CPCCRD e atual assessor da direção da confederação, apresentou depois os Laboratórios Sociais Associativos, um projeto-piloto desta entidade que decorre no distrito de Setúbal entre janeiro de 2024 e dezembro de 2027, com o objetivo de estudar e encontrar soluções para os problemas das coletividades nas áreas dos associados, dos dirigentes e das relações do movimento associativo.
O projeto envolve também a ACCSet, a Federação das Coletividades do Distrito de Setúbal e as Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade, tendo Augusto Flor salientado que no estudo – cujos resultados serão divulgados para poderem servir a todo o movimento associativo popular português – vão ser usados métodos e técnicas científicos, “para encontrar soluções que a experiência empírica não permite encontrar”
Grupo Desportivo Os Amarelos, Artiset – Associação de Artistas Plásticos de Setúbal, Sociedade Musical e Recreativa União Setubalense, Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Setúbal e União Desportiva e Recreativa das Pontes (não filiada na associação concelhia) foram as cinco coletividades do concelho de Setúbal, convidadas por decisão da ACCSet, que assinaram o compromisso associativo no qual se define o papel de cada parte no projeto Laboratórios Sociais Associativos.
A sessão comemorativa do oitavo aniversário da ACCSet contou com um colóquio em que o investigador sobre o movimento associativo Sérgio Pratas abordou o tema “O papel (e participação) das mulheres no associativismo popular”.
Noutros painéis, João Bernardino e Augusto Flor falaram sobre os “20 anos do Estatuto do Dirigente Associativo Voluntário” e João Alexandre apresentou o tema “A importância dos jogos tradicionais portugueses na Europa”.










